sexta-feira, 7 de outubro de 2016

sobre seguir em frente.

Se você vier pro que der e vier comigo
Eu te prometo o sol se hoje o sol sair
Ou a chuva..
Se a chuva cair.
Se você vier até onde a gente chegar
Numa praça na beira do mar
Num pedaço de qualquer lugar.
Neste dia branco se branco ele for
Esse tanto, esse tão grande amor
Se você quiser e vier pro que der e vier comigo.
Se você vier, pro que der e vier, comigo
Eu te prometo sol, se hoje o sol sair
Ou a chuva, se a chuva cair, se você vier
Até onde a gente chegar
Numa praça na beira do mar
Num pedaço de qualquer lugar
E neste dia branco, se branco ele for
Esse tanto, esse tão grande amor
Se você quiser e vier pro que der e vier comigo.


(Geraldo Azevedo)



O meu amado tem olhos de festa...

domingo, 1 de maio de 2016

love is just a thing.


eu que amo você.

eu não gosto de ser vulnerável. eu me escondo em máscaras e desculpas para aparentar uma força que, as vezes, me pergunto se realmente a tenho.
eu não queria escrever esse texto... talvez porque esteja 5°C lá na rua e são 6 da manhã; eu não dormi nada; é domingo de manhã. esse é o último cenário que eu me imagino sentada escrevendo. Mas a realidade é bem diferente do que eu gostaria. 
Perder você me forneceu liberdades que eu não tinha. Libertou também meus sentimentos. Eles correm soltos por ai, sem donos, sem motivos. Eu te vejo e não sinto nada; eu te vejo e sinto tudo. Parece que voltei a ser algo que não gostaria. Não gosto de me render a sentimentos. Não gosto de ter motivos tão profundos para escrever, assim. Eu tenho tempo para ser eu mesma agora, ou pelo menos começar a me descobrir. Mas ainda choro quando deito na cama e tu não estás lá. 
Criei contigo uma initimidade tão grande, uma conexão tão absurda, mas não se foi com o teu verdadeiro eu. Não sei se te conheço. Te encontrar me doeu, porque vi que em teus olhos não tinha sequer um lapso de sentimento. Acho que me apaixonei por uma pessoa que nunca existiu. 
Nunca imaginei que a dor da separação ia se prolongar por tanto tempo. Eu escolhi a dedo as pessoas com quem eu seria vulnerável, tu foi uma delas. A mais importante. E a que menos se importou com isso. Eu ainda não superei o fato de não ser mais feliz contigo aqui. Eu ouço músicas nostalgicas, escrevo. Me sinto presa àquela menina de 2010 novamente. Parece que regredi. Eu não sei.
Esse ano está sendo incrivelmente difícil para mim. Eu achei que ia ficar bem, logo. Achei que não ia demorar para sarar. Saí com amigos, fiz inúmeras amizades, fortaleci laços... bebi, fumei, chorei, chorei muito, dei muitas risadas... vivi muitos amores passageiros. Me escondi. Evitei sentir o que sentia. Achei que logo ia ficar bem. Mas não está. Eu não coloco a culpa exclusivamente em ti, mas tu me destruiu muito. Não me deu chance de me recompor. Metade das músicas que escuto são dedicadas a ti, a outra metada é dedicada a te esquecer.
Tá sendo muito difícil. Eu tenho vestido uma armadura de "sou forte e vai passar", mas a verdade é que dentro de mim eu estou completamente destrúida, destroçada. Larguei pedaços meus por aí e não estou tendo forças de juntá-los. E sei que isso é fraqueza, mas não consigo ser mais forte. 

Mas viver sem você não é completamente ruim. Hoje tenho laços que sei que não teria se estivesse tão conectada a ti. Um desses laços me faz extremamente feliz. É alguém tão diferente que eu não sei se conseguiria descrever. Daquelas que a companhia já acrescenta e alegra. Dessa pessoa veio lágrimas de conforto, quando eu menos espera. "Amar faz bem para ti; tu tens que amar ao outro, mas amar por ti. A intensidade das pessoas é que o separa elas." 

Eu não sei se amo você, ou amo a ideia do que você era. Eu não sei se te amei, se te amo ainda. Eu acho que sim. Me sinto extremamente conectada a ti e não sei o porquê. 
Envelheci 10 anos ou mais nesse último mês. Não sei os motivos. A porta ainda está aberta, desde que você saiu. Eu pedi um conhaque, eu dancei sem querer dançar. 

Mas se esse sofrimento traz aprendizados para mim, por outro lado ainda te amo e te desejo um mundo de coisas boas. Ainda me preocupo contigo. Ainda rezo por ti. Ainda sinto ciúmes. Ainda penso no teu sorriso e em maneiras de te ajudar. Ainda sinto falta das tuas palavras e dos teus carinhos. Sei que não estás exatamente onde querias estar e torço para que isso se resolva logo. Torço para que tu tenhas as experiências que gostarias, que vivas os sonhos que sonhasse e realize os inúmeros planos que tu fez ou ainda fará. Me dói não participar disso - como eu sempre quis - mas eu entendo. E ainda sofro. 
Realmente não gosto de escrever essas coisas para ti, ainda mais sabendo que tu nunca as lerá, mas acho que elas são necessárias. Desejo que tu aprendas muito e que passe teus conhecimentos para as pessoas que, assim como eu, se encantam quando te ouvem. Desejo que tu aprendas a lidar com teus conflitos internos e se aceite, plenamente. Desejo que tu te mostres aos outros, porque todos amariam ver a pessoa maravilhosa que eu sei que tu és. Desejo que tu encontres alguém que escrevas as coisas que tu queiras/precises ler. Desejo que tu seja mais leve, como tu sempre quis. Desejo que tu encontres alguém que se relacione naturalmente contigo e consiga penetrar nessa camada que te protege. Desejo que tu cresças e aprendas o que precisas. Desejo que o futuro que tu pensou/planejou se concretize. Desejo que tenhas filhos, que ames incondicionalmente e que sejas amado na mesma intensidade. Desejo que tu brinques mais, sinta mais, seja mais vulnerável. Desejo que tu te mostre mais humano. Desejo que alguém acrescente mais felicidade no teu dia e que seja reciproco. 

E quanto a mim, eu desejo reconstrução. Desejo menos lágrimas. Desejo uma amor intenso como o meu, alguém que ame na mesma medida. Desejo menos cansaço. Desejo mais objetivos. 
Desejo FORÇA. E não espero nada mais, muito menos de ti.

"Do you still feel younger than you thought you would be right now?"

terça-feira, 19 de abril de 2016

uma carta sem dono.

Eu estou fazendo essa carta sem destinário, como uma forma de desabafo.
Eu não escrevo há muito tempo, eu não tenho mais intimidade com as palavras... eu estudo engenharia e trabalho com gestão. Definitivamente escrever deixou de ser prioridade. Mas eu acho que estou precisando.
Escrever, para mim, sempre foi uma maneira de expor para fora coisas que eu sei que ninguém gostaria de ouvir - ou pelo menos acho que ninguém gostaria de ouvir. Eu não tenho feito isso há muito tempo - e nem sei o motivo. Acho que me perdi a tantos números, pesadelos e fraquezas. Tem alguma Joyce abandonada por aí, que talvez nunca volte.
Hoje eu sentei e escrevi. Não sei exatamente porque. Vai ver foi porque eu percebi coisas que não queria perceber... não sei. Na verdade eu só estou escrevendo, sem nem ter um assunto, muito menos um destinatário.
Eu acho que não tenho escutado a mim mesma nos últimos meses. É como se alguma Joyce, perdida por aí, estivesse clamando por ajuda ou por alguma solução, mas ninguém a ouvisse... eu não a ouço. Eu rejeito o que sinto, rejeito a dor, rejeito a mudança. Algo dentro de mim soluça. Não tem sido nada fácil, eu to gritando por dentro... mas um grito que não sai.
Eu me tornei uma pessoa muito fechada, por incrível que pareça. A quantidade que tenho de amigos só cresceu, mas me abro com pouqussímos deles - quando me abro. Acho que as pessoas tem uma cota específica de choro por ano, e eu estorei a minha. 
Eu me tornei uma pessoa que eu mesmo não conheço ou reconheço. A mudança da Joyce do ano passado para a que escreve agora é absurda. Nem eu mesmo sei quem é. Eu não sei se conheço muito bem essa Joyce que não sabe mais escrever, que manda cartas sem destinários e que nega, de corpo e alma, qualquer sentimento que eu sei que não devo sentir.

As pessoas que eu amo tem me dado tapas na cara... muito bem dados. "Tu precisas ser forte" disse meu melhor amigo, depois de segurar minha mão e, logo depois, apontar os dedos na minha cara. "Tu precisas mudar" disse uma das pessoas que mais admiro, depois de chorar no meu ombro e me fazer chorar também. "Eu te entendo, perfeitamente" disse minha amiga mais intima, aquela que sabe até de coisas que eu não sei mais de mim - enquanto também sente o que não quer sentir... "quem dera eu fosse um pouco Joyce".
Hoje, eu relembrei as coisas que fiz nos últimos meses. Não sei mais o que sinto. Não sei se ela tem razão... se ela deveria ser mais Joyce, ou eu deveria ser um pouco mais o que ela é. Eu não sei. Eu não escrevo mais porque eu não tenho inspiração, eu não tenho mais o que escrever.

Eu queria escrever uma carta, com destinatário. Eu sei exatamente o que eu escreveria nela. Mas também sei que o destinatário não ia entender essa pouca intimidade com as palavras, muito menos com os sentimentos. Então eu não escrevo. Mas minha vontade é arrancar tudo que eu sinto do peito, mesmo não sabendo que sentimentos são esses.

Eu estou escrevendo isso porque, depois de uma conversa com outros amigos, alguém fez uma profecia pro meu futuro... eu não gostei. Fiquei pensando em quem eu posso me tornar, já que não estou sendo o que eu quero ser. Mas eu não sei, não tenho mais as respostas. Acho que não tenho mais nem as perguntas.

Eu quero fazer uma infinidade de coisas na minha vida... não sei por onde começar. Talvez voltar a ter intimidade com as palavras me fizesse bem. Eu tenho vivido experiências que antes nunca havia vivido, me relacionado com pessoas que jamais pensei em me relacionar, feito planos que eu jamais pensei em fazer. Adquiri um hobby que eu mesma condenava. Eu nem falo mais dos meus sentimentos, o que antes era pauta para qualquer conversa de bar que eu partipasse...
Ao mesmo tempo tem algum vazio dentro de mim.

E quanto a essa carta... ela tem, sim, um destinário. Mas eu sei que ele nunca vai ler. E eu finjo que eu nunca escrevi. Acho que essa é mais uma das coisas que eu ando negando a mim mesma.